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O Gavião Nanook

     Oi pessoal! Vou escrever meu primeiro post para o blog da Casa de Aventura, depois de anos de pressão de todos os lados para que minhas histórias vividas fossem contadas! Verdade, anos! Tomei coragem e aqui está! Mas, como aconteceu um fato inusitado, interessante e para mim, abençoado, não pude deixar de dividir essa simples e magnífica experiência vivida. Então, vejam só o que aconteceu…

     Em uma ensolarada quinta feira, 5 de abril de 2018, como Instrutor de Canoagem e durante um trabalho, tomei rumo por mar à praia deserta de Ilhéus em Governador Celso Ramos, litoral catarinense acompanhado de meus alunos e amigos Ivo Leonardo Schmitz, Luciano Cardoso, Nathan Smit e Thiago Balestrim durante um curso avançado em águas abertas até a referida praia. Acampamos, treinamos e nos divertimos muito.

     Na tarde do dia seguinte quando já retornávamos e nos aproximávamos da Ponta de Ganchos, avisto um “pescocinho” fora d´agua. Parecia de início um pinguim (vez ou outra dão as caras por aqui), Ivo achou que era uma coruja, mas, era um gavião, boiando!

     Um gavião na água? Sim, um gavião “náutico”! Obviamente algo estava errado e minha primeira ação foi fazer algo certo e tentar salva-lo. Afundei a pá do remo e delicadamente a aproximei-a ao peito da ave na intenção de suspende-lo da água, ele, aceitou a missão de resgate subindo no remo e tranquilamente o coloquei sobre o convés do caiaque. De início, ele escorregava muito na superfície lisa a qual o balanço do mar mesmo calmo, também o balançava um pouco. Continuei avançando com leves remadas para não o assustar e o desequilibrar e acabar voltando para o mar. Logo, o bichinho tateou o neoprene e a lingueta de borracha da saia, gerando atrito para suas garras. Entendendo o recado, agarrou a lingueta e ali se estabilizou.

     Ivo vinha logo atrás de mim e assim que viramos a Ponta dos Ganchos e encontramos águas mais calmas, tudo e todos também se acalmaram e então, o gavião relaxou e passou a curtir o lindo passeio sobre o convés do meu caiaque até a praia seguinte na baía de Ganchos onde eu pretendia deixa-lo salvo.

De peito estufado para mim e com suas asas abertas para que o sol as secassem, uma linda criatura selvagem me olhava nos olhos concedendo às minhas melhores intenções de ajuda-lo. Cheguei a toca-lo! Alisar suas penas peitorais, pegar em sua asa, brincar com ele e pasmem, não esboçou nenhuma reação de ataque. Eu queria que aquele momento não terminasse tão cedo, mas, ao mesmo tempo queria fazer o melhor por ele. Na verdade, queria leva-lo para mim e já imaginava tudo o que faria com aquele novo amigo, queria domestica-lo para que inclusive viesse a navegar comigo de caiaque e já tinha até nome: Nanook – O Rei do Ártico! Imaginem, nos conhecemos em um caiaque, ele navegou e viveu aqueles momentos comigo. Mas eu precisava devolve-lo à seu lugar, pois ele não apresentava nenhum indício de ferimentos, fraturas, somente de cansaço e penas molhadas que o impediam de voar e logo poderia voltar a sua vida normal. Creio que ele devia estar em uma baita missão de caça e errou algum procedimento que o levou ao mar. Valente guerreiro selvagem em busca de seu sustento.

     E assim fomos, navegando lentamente escoltados por um time de remadores também encantados com aquele momento inusitado. Que linda e encantadora ave, um predador, agora passeando sobre meu caiaque até que chegamos a uma praia deserta de Ganchos de Fora. Ali, aportei calmamente na areia fina para que ele pudesse desembarcar, mas, não foi fácil tira-lo de lá. “Conversamos” e tentei explicar a situação a ele (ele não me entendia 🙂 e continuava agarrado à lingueta de borracha, havia encontrado um porto seguro.

Busquei artifícios para convence-lo de voltar as matas. Com um galho encontrado na praia eu o cutucava em suas garras para que ele agarrasse o galho e voltasse a se sentir em seu habitat. Na segunda tentativa se rendeu ao galho gerando uma bela imagem de uma amizade, a qual eu, jamais esquecerei!

Ali o deixamos naquela bela praia. Dei as costas a ele seguimos remando nossos caiaques. Me virei algumas vezes para vê-lo voar ou se embrenhar mata dentro, mas ele se mantinha firme sobre um tronco, imóvel, como que nos desse um adeus. Sem dúvidas ele alçou voo horas depois e voltou a sua vida selvagem.

Alvaro Walendowsky e o Gavião Nanook
Alvaro Walendowsky e o Gavião Nanook

Álvaro também é cultura! 🙂

     E como sou encantado pela vida selvagem, obviamente fui pesquisar de que gavião se tratava. A espécie em questão é o Gavião Carijó (Rupornis magnirostris) – É um dos gaviões mais comuns do Brasil, frequentemente observado nos centros das cidades ou às margens de rodovias. Gosta de planar em círculos nas horas mais quentes da manhã, e frequentemente emite uma vocalização bem característica. Ocorre desde norte do México, América Central até a Argentina, Peru e por praticamente todo o Brasil, exceto nas áreas densamente florestadas do norte do país. (Fonte: www.avesderapinadobrasil.com.br)

     “CARIJÓ – Procedente do branco – mestiço, como o galináceo de penas salpicadas de branco e preto – caboclo – antiga denominação da tribo indígena guarani, habitante da região situada entre a lagoa dos Patos (RS) e Cananéia (SP) – carió – cário – cariboca – curiboca caburá – tapuio. (Fonte: www.dicionariotupiguarani.com.br)

 

 

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